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Terça-feira, 10 de Abril de 2007

A DOENÇA BIPOLAR OU MANÍACO-DEPRESSIVA

 

“Quem sonha de dia tem consciência de muitas coisas

que escapam a quem sonha só de noite.”

Edgar Allan Poe

 

 

Os doentes bipolares viajam, constantemente, do céu ao inferno. Dois pólos, uma vida inconstante e insegura, de extremos emocionais... Em pouco tempo vão do auge da euforia à mais profunda depressão. Por vezes, vão do riso ao choro, quase ao mesmo tempo. Prevê-se que serão cerca de 120 mil portugueses que se revelarão maníaco-depressivos, ou seja, 2% da população adulta.

É uma doença pérfida que não escolhe idades ou sexos, que se encontra escondida durante décadas em indivíduos saudáveis, esperando pelo momento para se revelar. Caracteriza-se por variações acentuadas de ânimo, crises de depressão e mania. Surge em qualquer altura da vida, nas mulheres pode surgir após o parto ou durante a menopausa.

O doente sente-se no início com uma enorme capacidade cerebral e física, não tomando consciência da doença. Os sintomas de mania ou euforia são um humor elevado, com a diminuição da necessidade de dormir, sentindo-se cheios de energia, com o raciocínio acelerado, faladores, autoconfiantes, criativos e até sentindo um aumento na capacidade de trabalho.

A mania provoca excitação/hiperactividade, pensamentos rápidos e desadequados, extravagâncias monetárias excessivas, desinibição, delírios e dificuldades de concentração. Normalmente, por noite, nestes casos, três ou quatro horas de sono bastam até que alcançam o clímax da euforia e do exagero, entram em hipomania, sem acreditarem na doença, achando que o engano é médico. Quando estão em euforia querem brilhar e só na fase depressiva e em queda é que aceitam a doença.

Os sintomas de depressão são uma diminuição do estado de ânimo, cansaço e ansiedade, excesso ou falta de apetite, padrões de sono alterados, lentidão nos pensamentos, maior dificuldade em decidir, auto-desvalorização, sujo sentimento de desespero e de culpa. Nesta fase, existem características que se assemelham às de mania que são a ruptura com a realidade e o delírio. Nesta fase, ouvem vozes, perdem a noção temporal e espacial, até que acabam por ser internados.

Existem medicamentos para estabilizar o humor do doente, uns para controlar a euforia e outros a depressão, actuando ambos ao nível dos neurónios e tendo por base o lítio ou o valproato de sódio (químicos).

 

 

 

 

Uma doença imprevisível, sendo vivida de formas diferentes por cada doente, ainda não sendo bem explicada pela Medicina, apesar de se saber que está relacionada com tendências genéticas, perturbações bioquímicas do cérebro e mudanças hormonais, mas não sofre qualquer influência afectiva. As causas exactas são, até hoje, desconhecidas, mas é uma doença que se sabe ter duas estações do ano, a Primavera e o Verão, épocas em que os bipolares entram em descompensação, embora ainda sem explicação científica.

O doente pode chegar a uma fase de adaptação, com reconstrução da sua vida e com o apoio familiar e social, mas a sociedade nem sempre sabe lidar com esta doença, faltando a sensibilidade necessária à compreensão desta doença mental.

Entre os bipolares famosos destacam-se nomes como os de Sting, Peter Gabriel, Edgar Allan Poe (celebrizou-se com os seus contos de terror psicológico), Ernest Hemingway, Antero de Quental (suicida-se com 50 anos), Florbela Espanca (suicida-se com 37 anos), Victor Hugo (autor de os Miseráveis), Tolstoi (escreveu Guerra e Paz), Virginia Woolf (suicidou-se com 26 anos, depois de uma vida atormentada pela doença), etc...

 

"A vida é como um sonho; é o acordar que nos mata."

Virgínia Woolf

 

 

publicado por Dreamfinder às 21:44

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Segunda-feira, 9 de Abril de 2007

HIPOCONDRIA - O MEDO DA DOENÇA

 

A hipocondria, também conhecida por nosomania, é um estado psíquico que se caracteriza pela crença infundada de se padecer de uma doença grave. Costuma vir associada a um medo irracional da morte, a uma obsessão com sintomas ou defeitos físicos irrelevantes, à descrença nos diagnósticos médicos, preocupação e auto-observação constante do corpo. A hipocondria pode vir associada ao transtorno obsessivo-compulsivo e à ansiedade.

 

“Os hipocondríacos constroem gaiolas e procuram-lhes a chave de nariz

rente ao chão, surdos ao rumorejar da vida um pouco mais além. Penam de

solidão atarefada. Mas quando se decanta a luz soturna da sua melancolia, não

é raro encontrarmos um depósito de superstição no filtro. Através de uma tortura inquisitorial privada expiram culpas inconfessáveis, mas é o corpo e não a alma a ser resgatado. Flagelando-se com doenças imaginárias, exorcizam maleitas possíveis; pagam indulgências com medo e sofrimento, não dinheiro;

sofrem para não sofrerem; são católicos medievais que se desconhecem.”

Júlio Machado Vaz in O Tempo dos Espelhos

 

As preocupações da pessoa quanto à gravidade da doença são baseadas, muitas vezes, numa interpretação incorrecta das funções normais do organismo. Por exemplo, o ruído dos intestinos e as sensações de distensão e de incomodidade que às vezes ocorrem à medida que os fluidos avançam através do tubo digestivo são normais. As pessoas com hipocondria utilizam tais «sintomas» para explicar a razão por que julgam ter uma doença grave. O facto de serem examinadas e tranquilizadas pelo médico não alivia as suas preocupações; elas tendem a crer que este não conseguiu encontrar a doença subjacente.

Suspeita-se de hipocondria quando uma pessoa saudável com sintomas menores está preocupada com o significado desses sintomas e não reage perante explicações tranquilizadoras depois de uma avaliação cuidadosa. O diagnóstico de hipocondria confirma-se quando a situação se mantém durante anos e os sintomas não podem ser atribuídos à depressão ou a outra perturbação psiquiátrica.

O tratamento é difícil porque uma pessoa com hipocondria está convencida de que tem algo gravemente alterado no seu corpo. Tranquilizá-la não alivia essas preocupações. No entanto, uma relação com um médico atento torna-se benéfica, sobretudo se as visitas regulares se acompanham de uma atitude tranquilizadora para o doente. Se os sintomas não se aliviarem adequadamente, pode consultar-se um psiquiatra para a sua avaliação e tratamento, continuando a manter o acompanhamento por parte do médico de primeiro atendimento.

A hipocondria existe, não é apenas um mito, nem uma doença rapidamente passageira. Para o aumento do número de pessoas hipocondríacas contribui, em parte, o aumento do conhecimento, pelo menos, aquele que é fornecido constantemente pela comunicação social e referente às várias doenças existentes e aos sintomas pelos que as mesmas se manifestam.

Como futuros médicos, devemos estar sensibilizados para este distúrbio psíquico e sensibilizar a população em geral.

 “A hipocondria é isso – um viver dobrados sobre nós mesmos.

Tão obsessivo que a desgraça dos outros, embora real, se vai metamorfoseando,

em simples e apagado mordomo; que anuncia a nossa, imaginada.”

Júlio Machado Vaz in O Tempo dos Espelhos

 

publicado por Dreamfinder às 15:08

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Domingo, 8 de Abril de 2007

FRIDA - A VIDA PELA ARTE

 

"Frida" - O FILME

 

Frida Kahlo é uma rapariga rebelde e claramente azarada.  Num determinado dia, perante a necessidade de usar como meio de transporte o autocarro e optando por não esperar pelo próximo, corre a apanhar aquele que acaba de partir. Segue neste e, de repente, ocorre um acidente e o autocarro vai de encontro à esquina de um edifício.

Do acidente resultam inúmeras lesões no corpo de Frida. Naquele momento, Frida torna-se arte, a sua própria arte. E foi por pouco que ela se salvou. Ficou com a coluna vertebral partida, tal como a clavícula, duas costelas e a pélvis, partida em 3 locais. Atravessou-a, no acidente, uma vara de metal que a penetrou pelo lado direito do corpo e tendo saído pela vagina. Sofreu 11 fracturas na perna direita e o pé esmagado.

 

 

 

Uma vez garantida a sua sobrevivência, é tentado que ela volte a andar.

O processo é longo e demorado e resulta em sucessivos fracassos. Frida está constantemente deitada e tem o corpo envolto em gesso. Obviamente, que durante o processo de a envolverem em gesso, o seu corpo tem de estar suspenso e preso de alguma forma, uma vez que a sua estrutura não é auto-suficiente. O pai oferece-lhe um cavalete próprio para ela pintar mesmo na cama, numa tentativa de consolar o seu enorme sofrimento e fazê-la esquecer as horríveis dores que tem.

 

"Existe luz. A loucura não existe. Somos os mesmos que já fomos e seremos. Não contando com o estúpido destino.”

Frida

 

Ao fim de muito tempo, Frida, graças à sua enorme força de vontade, consegue largar a cama e passar para uma cadeira de rodas. Mais tarde, conseguirá mesmo levantar-se e andar, primeiro com o apoio de uma bengala, depois pelo seu próprio pé.

Tenta vender os quadros que pinta, numa tentativa de ganhar a vida e ajudar os pais.

Acaba por casar com um famoso pintor de murais, Diego Rivera, e por engravidar deste, o que a deixa radiante. Claro que tendo em conta a fragilidade da sua estrutura óssea após o acidente, é uma gravidez de risco e Frida acaba mesmo por ter um aborto involuntário. Todas as desgraças com que a vida a bombardeia acabam por inspirá-la na sua obra. Os seus quadros vão reflectindo o seu sofrimento, incluindo agora também o tema do aborto.

 

 

 

Passeia com o marido, saindo do México, para a América. O marido continuamente infiel, acaba mesmo por trair Frida com a própria irmã, a quem ela era muito ligada. Frida fica de rastos.

 

"Na minha vida tive dois grandes acidentes: o autocarro e meu casamento com Diego. Diego foi o que mais doeu.”

Frida

 

 

 

 

Entretanto Frida acaba por defender a causa comunista, por influência do marido. Perdoa a irmã pela traição, tendo em conta a força dos laços que as unem. A irmã e o amor que sente por ela, é um dos temas frequentes nas suas obras. Frida acaba por trair também o marido com Trotski e estabelece ainda casos com mulheres.

Anos mais tarde começa a ocorrer o processo inverso. Volta a regredir a saúde de Frida, piora o seu estado. Vai ao médico, voltando a necessitar de uma estrutura metálica que lhe garanta o suporte da coluna, novamente mais fragilizada. O médico apercebe-se também do péssimo estado dos seus pés gangrenosos. Terá de os amputar. 

 

"Quem precisa de pés quando se têm asas?"

Frida

 

 

O estado de Frida continua a piorar. Cada vez se aguenta menos em pé, passa todo o tempo deitada. Além disso, está muito perto de ter uma pneumonia. O médico proíbe-a de deixar a cama, apesar de saber o quão importante é a sua primeira exposição no próprio país. Frida, que apesar da doença e dos azares da vida, mantinha o seu espírito determinado, consegue que a levem à exposição, sem desrespeitar a ordem médica, vai na sua cama.

Tem consciência de que não durará muito mais e oferece ao marido um presente dos seus 25 anos de casados, uma semana antes da data. E acaba mesmo por morrer, tal como previa, aos 47 anos.

 

“Espero que a saída seja alegre. E espero nunca mais voltar.”

 Frida

 

 

 

FRIDA –  a realidade  (1907-1954)

 

O filme, entretanto, exalta alguns mitos que podem tombar com as revelações ao longo das páginas do seu diário. Por mais que se tente humanizar o seu esposo e adorado Diego Rivera, interpretado por Alfred Molina, sabe-se que a história não é bem assim. Kahlo amava Rivera como homem e filho, que nunca teve, e colocou esse sentimento em tinta nas telas e nas páginas pálidas do seu íntimo "cada momento, ele é meu filho, meu filho nascido a cada instante, a cada dia, de mim mesmo."; o sentimento, todavia, não era recíproco. Apesar de ser leal a Frida e com ela ficar até a morte, Rivera nunca foi a figura carinhosa e bonacheirona que o filme pinta. Rivera traiu a pintora diversas vezes, inclusive com a própria irmã de Frida, Cristina, e com Maria Félix, com quem manteve um caso de domínio público, enquanto Frida permanecia na sua cadeira de rodas após amputar a perna direita.

A pintora, não obstante, estava ciente da personalidade evasiva de Rivera. Dele se separou em 1939, voltando a casar-se em Maio de 1940. O filme dialoga com esse momento e reproduz confissões do diário de Frida:

"melhor amá-lo pelo que ele é do que amá-lo pelo que ele não é. Gostaria de pintar-te, mas não há cores, por haver tantas, em minha confusão, a forma concreta de meu grande amor."

Frida, antes de tudo, sabia sentir. Virgínia Woolf mencionava que "a dor é irreproduzível", mas a pintora derrubou esse mito. Frida conhecia a dor, mas, também, a alegria, conforme os seus quadros atestam.

Para ela, os dois sentimentos não eram algo distintos, mas complementares. Aos 7 anos, a sua perna ficou para sempre coxa, facto derivado da poliomielite. Onze anos depois, num acidente de trânsito, o corrimão do autocarro atravessa-lhe o corpo. O corpo banhado em sangue e pó de ouro, que um pintor carregava na hora do acidente, cobriu-lhe a face. Frida ficou entre a vida e a morte. O seu sonho de estudar Medicina acabou naquele momento. Ao acordar do coma, Frida descobre que fora abandonada pelo namorado, cuja família não aprovava o namoro pela diferença de classes, com 70% do corpo mergulhado em gesso e com a alma dilapidada. Meses em coma, 4 abortos e mais de 35 cirurgias para costurar o esqueleto — figura constante em seus quadros. Saldo negativo? Não, Frida abraçou ainda mais a vida

O filme é fiel ao renascimento de Frida. Com o apoio de uma bengala, começou a pintar e fez dessa arte a sua vida. No caso da pintora, a vida imitou a arte. Casou-se com Rivera e abraçou a causa comunista. Com as constantes traições do marido, ela começou também a manter casos extraconjugais, entre eles com Trotski, o escultor Noguchi, contando, também, com alguns casos homossexuais, cujas parceiras, grande parte amantes de seu marido, a consideravam ainda melhor do que Diego Rivera.

Se a proposta era exibir Frida e pedaços de sua vida, que não podem ser costurados com uma linha e ponto simples, Salma Hayek acertou na mosca. Faltou, porém, contar que a verdadeira Frida apanhou inúmeras vezes de Rivera, se embebedava constantemente às voltas com a sua tristeza e, quando já não podia mais andar, frequentemente era visitada pela ideia do suicídio.

O filme, que visualmente é bonito, parece que preteriu a dor de Frida pela estética do perfeito, tanto que ganhou o Óscar de 2003 pela maquilhagem. Frida está além e não pode ser percebida com a visão exclusivista de um director. Quando as luzes se acenderem e cada espectador voltar para casa, sozinho ou acompanhado, tranquilamente levará, consigo, a certeza de que Frida não pode ser resumida em 140 minutos de projecção. Afinal, "quem precisa de pés quando se têm asas?" E Frida fecha o seu diário para cair na graça do público e imortalizar a sua dolorida, mas revolucionária arte.

 
publicado por Dreamfinder às 11:05

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Sábado, 7 de Abril de 2007

DIA MUNDIAL DA SAÚDE

 

O dia de hoje assinala a data da fundação da OMS – Organização Mundial de Saúde – e além dum marco histórico e simbólico, este dia pretende ser um dia de debate das problemáticas que mais afectam a saúde no mundo, contribuindo para o aumento da consciencialização dos mesmos. O tema que marcou o Dia Mundial da Saúde deste ano foi a “Segurança Sanitária Internacional” e foca a importância de reduzir a vulnerabilidade das pessoas de todo o mundo aos riscos para a saúde, particularmente os que atravessam fronteiras. O lema foi “Investir em saúde, para um futuro mais seguro.”

Entre os vários tópicos incluídos neste debate, incluem-se as doenças infecciosas emergentes e re-emergentes, o RSI (Regulamento Sanitário Internacional), as infra-estruturas da Saúde Pública e sobretudo medidas de prevenção e de promoção da Saúde Sanitária.

Além deste tipo de doenças infecciosas e da preocupação e controlo constantes que estas exigem, outras devem ser também causas de atenção, como as catástrofes naturais, os acidentes químicos e nucleares, as cada vez mais frequentes alterações radicais do clima, o bioterrorismo, sendo que todas estas afectam, directa ou indirectamente, a segurança internacional de saúde pública.

Se, por um lado, é a globalização crescente que permite que epidemias e pandemias se propaguem pelas várias fronteiras do mundo, por outro, é esta mesma globalização que deve ser usada como arma, nas estratégias de promoção da saúde pública, através da criação de parcerias que aumentem, por exemplo, a facilidade de acesso à vacinação a uma larga escala, e mesmo uma educação para a saúde pública.

É importante também que a saúde seja, cada vez mais, parte integrante da agenda política.

Em Portugal, foi também hoje destacado um personagem da Medicina portuguesa: Albino Aroso. Aos 24 anos, terminada a Licenciatura em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, ingressa no Hospital de Santo António, onde mais tarde veio a desempenhar o cargo de Presidente do Concelho de Administração.

Em 1967 participou na fundação da Associação para o Planeamento da Família, e dois anos depois, pela primeira vez em Portugal, abre a primeira consulta pública e gratuita de Planeamento Familiar. Pela oficialização desta importante nova vertente da Medicina Preventiva e por ser considerado o “pai” do Planeamento Familiar, Albino Aroso foi hoje destacado com o Prémio Nacional da Saúde.

 

“As ameaças à saúde não conhecem fronteiras. (…) Por isso teremos todos de colaborar num mundo em constante crescimento populacional, estreitamente interligado e em constante mobilidade, de modo a garantir a segurança internacional na saúde.”

Dra. Margaret Chan – Directora-Geral da OMS

 

publicado por Dreamfinder às 21:02

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Sexta-feira, 6 de Abril de 2007

O ETERNO PESADELO... RESSONAR

 

Este hábito é tão antigo como a Humanidade e já várias foram as teorias debatidas acerca deste acto tão curioso, entre as quais a de que seria uma arma de defesa primitiva.

O acto de ressonar é, em primeira instância, resultado de uma dificuldade respiratória, sendo detectado em cerca de 3% dos bebés.

Mas que soluções existem, afinal, para este problema que tem atormentado gerações?

Uma das soluções mais eficazes é uma simples intervenção cirúrgica. A outra é a instalação de um aparelho (CPAP) que mantém uma pressão contínua no ar e evita os episódios apneicos. A Internet, com a diversidade a que nos habituou, oferece inúmeras aparentes soluções, que vão desde as gotas, pulseiras e electroshock.

No entanto, os médicos recomendam a vigilância do peso e a privação do consumo de álcool, tabaco e sedativos, a prática de exercício físico regular e manutenção de temperatura da casa abaixo dos 20ºC.

Apesar de todas estas recomendações, o incómodo acto de ressonar continuará, certamente, a tirar o sono a muitos parceiros de quarto, ou mesmo de casa, no caso dos mais barulhentos…

 

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publicado por Dreamfinder às 21:18

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Quinta-feira, 5 de Abril de 2007

MEU ANIVERSÁRIO

Parabéns para mim, hoje que faço 20 aninhos!!!

publicado por Dreamfinder às 01:02

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Quarta-feira, 4 de Abril de 2007

COBAIAS EM LABORATÓRIO

O ser humano sempre utilizou os animais para observação, a utilização de cobaias cresceu tanto que foi responsável pelo rápido desenvolvimento científico. Poderá dizer-se que qualquer espécie servia para as experiências em laboratório, ninguém gosta de usar animais nas experiências, mas foi graças a eles que progredimos tanto,

os mais sacrificados, pois são os mais geneticamente próximos do homem, os primatas: genética – Parkinson e Alzheimer; cancro – técnicas de quimioterapia; medicamentos – dor e inflamação; vacinas – doenças infantis como tosse convulsa, poliomielite, rubéola e sarampo; SIDA – experimentação dos tratamentos contra esta; imunologia – descoberta do factor Rh dos glóbulos vermelhos no sangue; cirurgia e transplantes – pesquisa para erradicar as hepatites B e C adquiridas por transfusões sanguíneas;

os ratos e outros roedores: genética – descoberta do ADN e da síntese das proteínas; cancro – estudos sobre o cancro e ensaios clínicos; medicamentos – o efeito terapêutico da penicilina nas infecções bacterianas; imunologia – desenvolvimento dos anticorpos monoclonais para diagnóstico ou terapêuticas; neurologia – regeneração neurológica;

os cães e os gatos: medicamentos – isolamento da insulina, ajuda na diabetes, tratamento contra o raquitismo, medicamentos anticoagulantes; cirurgia e transplantes – técnicas de cirurgia cardíaca e cardiologia, tratamentos para evitar a rejeição nos transplantes, desenvolvimento da cirurgia não-invasiva, como a laparoscopia, técnicas de anestesia; neurologia – perturbações do sono, como a narcolepsia;

os porcos: cirurgia e transplantes – transplantes de órgãos animais para humanos, cicatrização de feridas na pele; desenvolvimento da tomografia axial computorizada (TAC); medicamentos – ensaios com vacinas para combater o antrax; outras patologias – estudo do metabolismo das lipoproteínas e do colesterol;

 

as ovelhas: genética – ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado a partir de uma célula adulta; cirurgia e transplantes – comportamento das válvulas mecânicas implantadas para substituir as válvulas da aorta; outras patologias – doenças infecciosas têm origem num germe, descoberta do bacilo de Koch responsável pela tuberculose, investigação ortopédica, doenças dos ossos, ligamentos e músculos;

os cavalos: medicamentos – prevenção do tétano e da difteria;

os armadilhos: medicamentos – tratamentos farmacológicos contra a lepra;

os animais aquáticos: genética – o peixe-zebra e o axolote são dos poucos animais que podem regenerar praticamente qualquer parte do corpo; neurologia – descoberta das sinapses electroquímicas, o grande tamanho dos neurónios de polvos e lulas torna-se muito útil para estudar o funcionamento do cérebro.

A protecção aos animais de laboratório começou com a aplicação do conceito dos “três erres” na legislação e na política que regem o trabalho dos laboratórios e dos cientistas que fez diminuir o recurso aos animais nas últimas décadas.

A esperança de inventar métodos alternativos surgiu com a “biotecnologia” que tornará desnecessárias as experiências com animais. Desde 1997, foram legitimadas dezasseis técnicas alternativas; seis delas no ano passado e constituem modelos de investigação pré-clínica que utilizam culturas celulares para testar a toxicidade de antitumorais ou para identificar factores de contaminação em alguns fármacos. O primeiro modelo evita o recurso a espécies como os cães, os outros evitam a utilização de 200 mil coelhos por ano, só na Europa. Já se produzem anticorpos in vitro, sem o recurso a ratos, e as células estaminais já são uma alternativa e vão ser decisivas na substituição das cobaias.

Os avanços em “biotecnologia” já permitiram substituir animais por computadores ou tubos de ensaios. Apesar da maioria das pessoas ser contra a utilização das cobaias, admitem que os progressos da medicina são imprescindíveis e que o fim talvez justifique os meios.

publicado por Dreamfinder às 00:03

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Terça-feira, 3 de Abril de 2007

ABUSO DE MEDICAMENTOS ULTRAPASSA DROGAS ILEGAIS

 

 

 

     Preocupa-me o uso dos medicamentos muitas vezes sem receita médica. Os medicamentos com efeitos psicotrópicos, são dos que mais se abusa e se trafica, ultrapassando o consumo de drogas ilícitas. Estes remédios usados sem controlo médico têm efeitos semelhantes e "são já uma droga de primeira escolha em muitos casos, e não de substituição" das substâncias proibidas, como a heroína e a cocaína.
     O fenómeno da contrafacção de medicamentos e do consumo fora do controlo médico não é novo, "tornou-se numa questão séria" e está a crescer exponencialmente. A culpa é das novas tecnologias. "Os traficantes estão a recorrer a maneiras inovadoras de desviar estas substâncias, nomeadamente à distribuição de medicamentos contrafeitos e à utilização da Internet e dos serviços postais e de correio especial."
    Em Portugal, a lei não permite ainda farmácias online, mas há países onde estas foram autorizadas para aumentar o acesso ao medicamento.
    A prova dos "graves riscos para a saúde" que estes abusos acarretam é dada com o aumento do número de mortes por sobredosagem de medicamentos sujeitos a receita médica.
   Portugal é dos países europeus com maior consumo de benzodiazepinas, estas
são psicofármacos com efeitos depressores. São produzidas por síntese química e podem assumir a forma de comprimidos, cápsulas ou, menos frequentemente, a de ampolas ou supositórios. Costumam ser conhecidas pelos nomes dos seus fabricantes, como por exemplo valium, rohipnol, buprex, mandrax, artane, etc. A via de administração mais habitual é a oral, sendo que a intravenosa é também comum. São utilizadas com fins terapêuticos no tratamento da ansiedade e insónias. Tem efeitos a nível ansiolítico, relaxante, anti-convulsivo ou hipnótico. Abranda as mensagens de e para o cérebro, incluindo as respostas físicas, mentais e emocionais.

 Tornaram-se os fármacos mais receitados para estes problemas tendo vindo a substituir os barbitúricos devido à sua maior segurança e menores efeitos secundários. Actualmente, constituem o grupo de fármacos mais receitado em todo o mundo.

    Existem Riscos de overdose quando combinadas com o álcool, as benzodiazepinas poderão ter o seu efeito acentuado. No entanto, as benzodiazepinas quando consumidas de forma isolada possuem uma toxicidade muito baixa e, consequentemente, uma grande margem de segurança, o que reduz o risco de morte. De facto, as tentativas de suicídio com benzodiazepinas não costumam ser bem sucedidas, excepto quando são combinadas com outras substâncias como o álcool. Existe tolerância às benzodiazepinas mas esta não é muito acentuada. Quando consumidas durante vários meses, esta tolerância aumenta, provocando Dependência física e psicológica.

   A Abstinência para não ser perigosa, deve ser efectuada gradualmente. A síndrome de abstinência varia consoante a duração da acção das benzodiazepinas e pode manifestar-se pelo aumento da ansiedade, insónia, irritabilidade, náuseas, dor de cabeça, tensão muscular, tremores, palpitações. Em casos mais graves podem ocorrer convulsões, quadros confusos, despersonalização, diminuição do limiar de percepção dos estímulos sensoriais, psicose, etc.

Mas o Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed) garante que os últimos números apontam para uma redução do uso destes medicamentos psicotrópicos.

 

“Não existe maior loucura no mundo do que

um homem entrar no desespero.”

Miguel Cervantes

 

publicado por Dreamfinder às 21:11

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Segunda-feira, 2 de Abril de 2007

MICRORGANISMOS TEMIDOS NO HOSPITAL

 

 

Apesar das medidas de segurança e desinfecção, os hospitais não escapam às infecções, também chamadas de nosocomiais. A infecção hospitalar é o inimigo invisível número um, um ser vivo diminuto e muito evasivo: a bactéria, que muitas vezes agrava o estado de saúde dos doentes e provoca até a morte.

Os microrganismos ou bactérias que por vezes se tornam multirresistentes, enganam as medidas de segurança e assepsia das unidades de Saúde, ou seja, são um verdadeiro inimigo ao trabalho do médico, pois suprimir por completo a possibilidade de um doente que entra num hospital contrair uma infecção é algo impossível. Só fechando todos os hospitais se acabaria com estas infecções.

Um problema que estima-se que ocorra todos os anos, na União Europeia, cerca de 5 milhões de infecções hospitalares, que são a causa de morte de 50 mil europeus por ano. A Organização Mundial de Saúde fez uma investigação sobre a prevalência destas infecções, em 55 países e concluiu que em média 8,7 dos doentes internados apresentava uma infecção nosocomial, e mais de 1,4 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem complicações provenientes das infecções que contraem numa unidade de Saúde.

Em Portugal, o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge fez um estudo sobre as infecções hospitalares, que aludiu à prevalência destas infecções no nosso país e a considerou moderadamente elevada em relação à verificada noutros países europeus, pois em Portugal temos uma taxa de 9,98% enquanto por exemplo na Inglaterra é de 7,6%. O maior número de casos de infecções ocorre nas Unidades de Cuidados Intensivos e nos serviços de Medicina. Noutros estudos anteriores as infecções urinárias eram as infecções hospitalares mais frequentes, mas neste concluíram que o predomínio das infecções é as das vias respiratórias.

As nosocomiais mais comuns prevalecem 26% no aparelho urinário, 20,6% na pneumonia nosocomial e 17,5% na ferida cirúrgica.

Os microrganismos mais temidos nos hospitais exteriores ao nosso corpo são:

 Escherichia coli – a maioria das estirpes desta bactéria é inócua, excepto a 0157:H7, transmitindo-se por via fecal ou oral, através dos alimentos e de pessoa para pessoa. Os sintomas variam segundo a estirpe, mas os mais frequentes são colite e febre alta.

Aspergillus spp – é um fungo que surge nos hospitais depois  da realização de obras, pode provocar infecções superficiais, sobre feridas ou relacionados a corpos estranhos como cateteres. Nos doentes imunodeprimidos a infecção pode ser cutânea, pulmonar, das vias aéreas ou disseminada.

Klebsiella pneumoniae – esta bactéria pode produzir infecção generalizada (sepsis) e eventualmente a morte em doentes imunodeprimidos. Infecções do aparelho urinário, sistema respiratório, tecidos moles e feridas.

Os microrganismos mais temidos nos hospitais que estão no nosso organismo são:

Vírus sincitial respiratório – este propaga-se facilmente por contacto físico, por isso é muito comum. O contágio em doentes com problemas cardiovasculares, transplantados ou com o sistema imunitário debilitado pode levar a uma doença grave ou mesmo fatal. Infecções do aparelho urinário, sistema respiratório, tecidos moles e feridas.

Staphylococcus aureus – uma bactéria que ataca doentes muito tempo hospitalizados, imunodeprimidos, queimados, diabéticos, em hemodiálise e outros. Infecções do aparelho urinário, sistema respiratório, tecidos moles e feridas.

Rotavírus – ataca crianças, e é responsável por 5% das mortes em menores de cinco anos e 25% destas nosocomiais são adquiridos no próprio hospital. Provoca gastroenterite que pode ter gravidade variável.

Pseudomonas aeruginosa – esta está sempre em contacto connosco, nos hospitais os doentes oncológicos e queimados, sobretudo podem contagiar-se; tem uma grande capacidade de adaptação e resistência aos antibióticos. A infecção ataca mais as vias respiratórias, feridas e queimaduras.

Candida albicans – é a responsável máxima pelas infecções por fungos, normalmente vive no nosso corpo sem problemas. Pode causar candidíase invasiva.

Algumas medidas aconselhadas para tentar prevenir em parte as infecções hospitalares são a higiene pessoal (lavagem das mãos), protecção de barreira (uso de luvas, máscaras, protecção ocular, …), isolamento do doente (evita o contágio e a infecção), politica antibiótica correcta; entre outras.

Espero que nos anos mais próximos consigamos aproximarmo-nos dos valores conseguidos por outros países europeus, apesar de ter consciência que as infecções hospitalares têm grandes custos humanos, sociais e económicos, difíceis de suportar pelo Serviço Nacional de Saúde.

 

 

 

publicado por Dreamfinder às 22:10

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Domingo, 1 de Abril de 2007

A MINHA VIDA SEM MIM

                               

Porque hoje é dia das mentiras pareceu-me bastante adequado escrever sobre um dos filmes que vi, nos últimos tempos, e que mais me marcou : “A Minha Vida Sem Mim.” É um filme que nos permite reflectir sobre a vida e, sobretudo, sobre a morte, particularmente quando ela nos é antecipadamente anunciada. Quando deixamos de nos sentir alguém presente, para nos sentirmos apenas um quase eterno passado. Quando a vida parece uma verdadeira mentira, na qual nos tentámos iludir. Quando deixamos de ser vida, de ser projectos a longo prazo, de ser objectivos, para sermos meses, talvez semanas… Quando apenas a morte é certa. E de tal forma certa que, simplesmente, se perde a força de viver. Porque sabemos, mais do que nunca, que será em vão…

Tudo começou com uma indisposição e um desmaio. No hospital, depois de muitos exames, e de o médico ter ido com ela para uma sala e se ter sentado ao seu lado, informa-a de que tem um tumor nos dois ovários, que atingiu o estômago e começa a espalhar-se pelo fígado. Além disso, é muito nova, motivo pelo qual as células se multiplicam mais rapidamente, e não poderão fazer muito por ela.

 

“- Ann, se tivesse mais anos espalhar-se-ia mais lentamente e podíamos operar. Mas… As suas células são muito jovens, demasiado jovens e receio que não possamos fazer nada.

- Quanto tempo?

- Dois meses, talvez três.”

 

O médico acaba por confessar o motivo que o fez vir para ali, em vez de lhe dar a notícia no seu próprio consultório. Afinal como é que um médico informa um paciente de que vai morrer?

 

“Não consigo sentar-me diante duma pessoa e dizer-lhe que vai morrer.”

 

O médico dá-lhe uns folhetos informativos, e umas receitas que ajudam a aliviar as náuseas. Quando chega a casa Ann mente à família, diz tratar-se de anemia. Perante a certeza da morte, Ann vai pensando na sua vida. Sempre ao lado do mesmo homem, Don. De quem engravidou ainda muito nova e com quem vive, juntamente com as suas duas filhas, numa velha e pequena caravana.

Ann vai escrever uma lista de coisas que deve fazer antes de morrer, vai projectar a sua vida sem ela, com a plena consciência de que a vida não lhe reserva já um lugar, o futuro lhe não pertence - “Things to do before I die”:

 

“1. Dizer às minhas filhas que as amo várias vezes ao dia.

2. Arranjar ao Don uma nova mulher de quem as meninas gostem.

3. Gravar mensagens de parabéns para as meninas até aos 18 anos.

4. Irmos à praia juntos e fazermos um grande piquenique.

5. Fumar e beber tanto quanto eu quiser.

6. Dizer o que penso.

7. Fazer amor com outros homens para ver como é.

8. Fazer alguém apaixonar-se por mim.

9. Ir ver o meu pai à prisão.

10. Pôr unhas postiças (e dar um jeito ao cabelo).”

 

Esta lista evidencia o desejo de alguém que sabe que vai morrer. E como essa certeza é cruel. Ann coloca como tarefas tudo aquilo que nunca fez (fazer amor com outro homem ou fazê-lo apaixonar-se por si), ou o que deveria ter feito mais vezes (dizer às filhas que as ama, ir à praia, ir ver o pai, ter um novo visual) ou ainda preparar um futuro sem ela (gravar mensagens para as filhas e arranjar uma namorada para o Don).

Evidencia também a necessidade de afecto.

 

“Mas nem todas as drogas do mundo vão alterar a sensação de que a tua vida foi um sonho do qual só agora acordas.”

 

Ann acaba por conhecer Lee e iniciar uma estranha relação. Ela passeia com ele, ele lê-lhe livros, encontram-se cada vez com mais frequência.

                    

 

“As capacidades dela desaparecem uma a uma e não há noite nem estrelas, apenas uma cave donde ela nunca pode sair e onde mais ninguém pode ficar. Dão-lhe medicamentos que lhe fazem mal, mas que a impedem de morrer. Por algum tempo. Eles estão assustados. Eu estou assustado.”

(livro de John Berger lido por Lee).

 

Até que Lee lhe revela que está apaixonado por ela, que se sente muitíssimo mal quando a vê partir com o marido e que chora por ela, que quer viver o resto da sua vida com ela, tratar das suas filhas, ser feliz ao seu lado. Ela percebe que foi longe de mais. E nunca mais vai ter com ele pois sabe que o fará sofrer ainda mais.

Ann acaba por deixar também uma mensagem a Don dizendo que o ama e uma mensagem a Lee para que ele saiba que ela se apaixonou verdadeiramente por ele. Mas ela nunca cedeu, nunca disse a ninguém que estava a morrer…

                 

“Havia de ter a sensatez de não folhear os álbuns de fotografias; mas não conseguiria deixar de visualizar as imagens que tinha na cabeça – dos momentos desperdiçados porque se supunham infinitos, das noites em que os dois, cansados, se tinham contentado com uma breve carícia em vez de um enlace impetuoso, voltando as costas um ao outro e dispondo-se a um sono gratificante, na convicção total de que ambos teriam outra oportunidade, no dia seguinte, ou no sábado de manhã. Todas essas oportunidades tinham sido enfiadas numa bola de trapos, que um destino indiferente se encarregara de arremessar para bem longe.”

Jacquelyn Mitchard, Um Natal que não esquecemos

publicado por Dreamfinder às 16:39

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